O pessoal da ESAC é muito legal,
fui bem recebido e nunca discriminado
Texto António Lopes Fotos Vanessa Gil
A ESAC, como o país e o Mundo, está sujeita aos efeitos dos fluxos migratórios e da globalização que marcam os nossos dias. O Samuel Heredia é um jovem brasileiro que frequenta o 12.º ano na ESAC.
Chegou há menos de um ano a Portugal e, prestes a terminar o ensino secundário, não sabe se continuará os seus estudos no nosso País. A fasquia das médias de ingresso no ensino superior e a escolha do curso que pretende tirar poderão obrigar o Samuel a partir de novo, talvez até mesmo a regressar ao Brasil, admite ele.
Em pouco meses de permanência na ESAC, o Samuel já granjeou muita simpatia. Gosta de estar em Portugal e sente-se adaptado ao país, afirma, pois as dificuldades de integração foram poucas.
A comunidade brasileira era, em 2004, a mais numerosa em Portugal, constituindo 14,9 por cento do total de imigrantes com autorizações de permanência e de residência. Logo a seguir situava-se a comunidade ucraniana, com 14,7.
Em pleno Ano Europeu do Diálogo Intercultural (AEDI), decretado pelo Parlamento Europeu e assumido pela Comissão da União Europeia e pelo Governo português, fica a conhecer um pouco mais a personalidade do Samuel Heredia, lendo, de seguida, o relato de algumas experiências deste jovem brasileiro de 17 anos recentemente chegado à nossa comunidade. “Juntos na Diversidade” é o lema escolhido para animar o AEDI.
Fernando Pessoa, um dia, escreveu assim: “Sê plural como o universo”. Ser sensível à diversidade cultural, à diferença, é trazer para dentro da escola a actualidade, a inspiração e fonte mais genuína e legítima das reformas educativas que hão-de mudar a escola e a sociedade.
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ENTREVISTA
Fascínio pelos portugueses
que desbravaram muitas terras
O ensino na ESAC é mais ou menos exigente do que na escola do Brasil de onde vieste? A escola que frequentavas no Brasil era pública ou privada?
Em Portugal é mais exigente porque temos que nos aplicar mesmo… No Brasil estudava em escola pública.
O que mais te agrada em Portugal? E o que mais te desagrada?
As praias perto de casa. O que mais me desagrada é o facto de o Benfica não vencer.
Pretendes ficar em Portugal ou fazer vida noutro país? Quais os teus planos de futuro?
Gosto muito de estar em Portugal, mas se não encontrar aqui muitas saídas pretendo imigrar, até porque tenho familiares em outros países que me podem ajudar. Penso em estudar na faculdade, não digo necessariamente em Portugal, porque se for muito “burocrático” pretendo voltar ao Brasil. São, por enquanto, apenas planos.
A língua portuguesa constituiu ou tem constituído obstáculo à tua vida pessoal e académica?
Não tem constituído nenhum obstáculo!
Para além dos aspectos associados à língua, quais as principais dificuldades que sentes no teu dia-a-dia?
Enfrentei, por exemplo, a discriminação, quando regressava a Portugal de avião vindo da Suíça. Desembarquei no aeroporto de Lisboa e, à mesma hora chegava também um voo proveniente do Rio de Janeiro. Como as autoridades viram que eu era brasileiro pensaram que eu vinha no voo do Brasil… e vou falar a verdade: trataram-nos como cães. Tirando factos como estes, não tenho muitas dificuldades aqui.
Quais as principais diferenças entre a vida escolar no Brasil e a de Portugal, de acordo com a tua experiência? As principais diferenças escolares situam-se dentro ou fora da sala de aula?
Aqui em Portugal há um factor diferente do Brasil: faz-se um ano a mais de escola do que lá. O principal factor existente no Brasil diferenciador da realidade portuguesa é a desigualdade social existente não só nas escolas (seja particular ou estadual), mas em todos os lados que se vá.
A escola e o ambiente que encontraste na ESAC são aqueles que imaginavas que fosse à saída do Brasil?
Sim. O pessoal da ESAC é muito legal, fui bem recebido e nunca descriminado pelo facto de ser estrangeiro. Em cada dia que passa adapto-me mais ao sistema.
Tem sido fácil ou difícil fazer amizades em Portugal?
Mais ou menos. Tenho muitas amigas moças por causa do curso que escolhi. Mas prefiro assim…
A que se deve a tão forte emigração brasileira para vários países, entre os quais Portugal?
O sonho e a expectativa de encontrar um lugar melhor para se viver e trabalhar e também o sonho e o fascínio pelos portugueses que desbravaram muitas terras!
PERFIL
ANO INTERNACIONAL DO DIÁLOGO INTERCULTURAL
Vídeos alusivos ao AEDI
Professora Josefa na EB23 do Vale da AmoreiraVladimir e Ana Maria “misturaram” linguagens Mais vídeos em www.aedi2008.pt
Tags: adaptação, Alunos, Brasil, brasileiro, discriminação, imigração, integração, multiculturalidade, Samuel Heredia





18 18UTC Novembro 18UTC 2008 às 20:08
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